No povoado de Cocos, mulheres transformam o coco babaçu em produtos artesanais, preservam saberes transmitidos entre gerações e impulsionam o desenvolvimento sustentável com o apoio da Associação Rural da Comunidade de Cocos (ARCO) e do Instituto Busato.
No povoado de Cocos, localizado na zona rural do município de Baianópolis, no Oeste da Bahia, um grupo de mulheres vem demonstrando a força do empreendedorismo feminino e da agricultura familiar por meio do extrativismo sustentável do coco babaçu. A atividade, transmitida de geração em geração, representa muito mais do que uma fonte de renda: é também uma expressão da identidade cultural, da resistência e da valorização dos conhecimentos tradicionais da comunidade.
Entre as protagonistas dessa história está Angelita, que há quase 40 anos trabalha como quebradeira de coco. O conhecimento foi herdado do pai, que ensinou aos filhos a importância do trabalho na roça e da valorização do dinheiro conquistado com esforço. Ao recordar os ensinamentos familiares, Angelita se emociona e demonstra o orgulho de manter viva uma tradição que atravessa gerações.
Com habilidade adquirida ao longo de décadas, ela aproveita os cocos que caem naturalmente no chão, respeitando os princípios do extrativismo sustentável. A partir da matéria-prima, extrai o óleo e prepara diversos produtos artesanais, entre eles a tradicional peta e a brevidade, alimentos que fazem parte da culinária regional.
Outra personagem dessa história é Maria, que também aprendeu o ofício ainda na infância, acompanhando os pais nas atividades rurais. Desde os 12 anos, participava do trabalho no engenho de cana-de-açúcar e ajudava a família na produção artesanal. Aos 16 anos, depois de se casar, deu continuidade à atividade que aprendeu com os pais.
Atualmente, Maria se destaca pela produção do tradicional tijolo, um doce preparado com castanha do coco babaçu, mandioca e melado de cana. A receita preserva os sabores e os conhecimentos da culinária regional, conquistando consumidores dentro e fora do município.
Associação fortalece o protagonismo feminino
Há dois anos, as quebradeiras de coco passaram a se reunir por meio da Associação Rural da Comunidade de Cocos (ARCO), iniciativa que busca fortalecer a agricultura familiar, defender direitos sociais, incentivar o empreendedorismo e ampliar as oportunidades de geração de renda.
A organização tem contribuído para valorizar o trabalho das mulheres, fortalecer os vínculos comunitários e estimular a continuidade de uma atividade tradicional que representa parte importante da história do povoado.
Além de proporcionar maior visibilidade aos produtos artesanais, a atuação coletiva fortalece a autoestima das participantes, que encontram na associação incentivo para continuar produzindo e aperfeiçoando suas atividades.
Produtos conquistam consumidores dentro e fora da Bahia
A produção das quebradeiras de coco é comercializada principalmente em feiras de agricultura familiar, por meio de encomendas, indicações de clientes e divulgação nas redes sociais.
Os produtos têm conquistado consumidores de diferentes localidades, incluindo Barreiras e Brasília. A procura demonstra o potencial econômico da atividade e a valorização crescente dos alimentos artesanais produzidos a partir de ingredientes regionais.
Para as mulheres da comunidade, cada venda representa não apenas um complemento à renda familiar, mas também o reconhecimento de um trabalho que exige dedicação, conhecimento e habilidade.
Parceria com o Instituto Busato incentiva o desenvolvimento sustentável
A ARCO conta com o apoio do Instituto Busato, parceiro no fortalecimento das iniciativas comunitárias e na valorização do trabalho desenvolvido pelas quebradeiras de coco babaçu.
A parceria busca unir tradição e inovação, promovendo oportunidades de comercialização, inclusão produtiva e desenvolvimento sustentável no Oeste da Bahia.
A possibilidade de participar de feiras e eventos amplia o acesso ao mercado consumidor e incentiva as mulheres a investir cada vez mais em suas atividades, contribuindo diretamente para o fortalecimento da economia local.
Mais do que transformar o coco babaçu em óleo, doces e outros alimentos artesanais, as quebradeiras de coco do povoado de Cocos transformam conhecimento em oportunidade, tradição em renda e trabalho coletivo em desenvolvimento.
A história dessas mulheres revela a importância da agricultura familiar para a preservação da cultura regional e demonstra como a organização comunitária, aliada ao apoio institucional, pode abrir novos caminhos para o empreendedorismo feminino e o desenvolvimento sustentável de Baianópolis.