Pelo menos 20 prefeitos baianos se reúnem na tarde desta segunda-feira (26), na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), para definir um teto máximo para a contratação de artistas no São João de 2026. A mobilização, liderada pelos prefeitos Zé Cocá (Jequié) e Ednaldo Ribeiro (Cruz das Almas), propõe estipular um valor limite de até R$ 500 mil por atração. O objetivo é equilibrar as contas públicas durante um dos períodos festivos mais importantes do estado.
Com a possível implementação desse teto, grandes estrelas da música nacional podem ficar de fora das programações oficiais das prefeituras. Artistas como Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Simone Mendes e Xand Avião, cujos cachês variam entre R$ 750 mil e R$ 1 milhão, não se encaixariam no orçamento proposto pelo grupo de gestores. A medida marca uma mudança significativa na gestão dos recursos destinados aos festejos juninos.
Diante da restrição, surge o questionamento sobre se os artistas aceitarão reduzir seus valores ou se migrarão para a iniciativa privada. O cenário pode impulsionar o retorno das tradicionais “festas de camisa”, eventos que por muito tempo foram os principais palcos para cantores no topo do sucesso, oferecendo uma alternativa aos grandes shows custeados pelo poder público.
Gestores alertam que custos atuais podem inviabilizar festas e sugerem a criação de tabelas de preços ou critérios de gastos para proteger as finanças de pequenos municípios.”
A explosão nos custos das festas juninas acendeu um alerta vermelho entre os gestores municipais da Bahia. Diante da dificuldade em equilibrar as contas, a União dos Municípios da Bahia (UPB) colocou como prioridade para 2026 a abertura de um diálogo com órgãos de controle, como o Ministério Público (MP) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), para estabelecer critérios e parâmetros nas contratações artísticas.
O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, defende que é o momento de criar uma tabela de referência, especialmente para proteger o orçamento das cidades menores. Ele aponta disparidades injustificáveis nos valores cobrados por uma mesma atração em cidades vizinhas.
“Não é razoável um município contratar uma banda por R$ 600 mil e o vizinho pagar R$ 400 mil. Isso precisa ser alinhado com os órgãos de fiscalização para trazer segurança jurídica”, afirmou Cardoso.
Já o prefeito de Jequié, Zé Cocá, foi ainda mais enfático ao projetar o fim das celebrações se nada for feito. Segundo ele, o custo de uma estrutura básica hoje supera o que se gastava com toda a festa antigamente. “Em até três anos, nenhum município baiano terá condições de realizar o São João”, alertou.
O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos, esclareceu que o movimento não é um ataque aos artistas, mas uma medida de sobrevivência financeira. Ele observa que o setor artístico criou um “indexador próprio” que ignora os indicadores econômicos oficiais, tornando os grandes eventos insustentáveis.
Como alternativa ao cenário de altos custos, a UPB sugere que o momento pode servir para: Valorizar o forró tradicional: Focar em sanfoneiros e bandas de pé-de-serra; Equilíbrio fiscal: Evitar o endividamento das prefeituras com atrações de peso; Transparência: Estabelecer preços justos e auditáveis para o setor público.
A UPB agora busca articular reuniões técnicas com o MP e o TCM. O objetivo é criar recomendações que garantam a transparência nas contratações e permitam que o São João — principal motor econômico e cultural do interior — continue acontecendo de forma sustentável e dentro da realidade financeira de cada município.
Redação ASCOM NOTÍCIAS com informações de itapebiacontece / Alô Juca

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